Poetizar
- 20 de fev. de 2018
- 2 min de leitura
Atualizado: 11 de abr.
Por Adriana Costa Reis

A narrativa eloquente da expressividade
O lugar onde se pode criar e recriar
Do fantasmático à realidade
O milagre do inexistente, extinto ou oculto
A função emotiva, patente nas interjeições
Que colore em algum grau nossos propósitos
A nossa própria imagem em versos vistos
A semelhança das coisas interiores inatingíveis
Que podem ser sentidas, percebidas e entendidas
Uma função declarativa, equivalente ao ato
Palavras em versos que constituem o reflexo adequado
Dando corpo de palavras a sentimentos e pensamentos
Um ato de descarga sem culpabilidade
A capacidade de ouvir o silêncio contido que ecoa:
Poetize! Poetize o extraordinário da profundidade interna
O instante e a presença distante
De uma realidade às vezes inominável
Que não somente diz sobre coisas
Mas que as mudam
Poetize!
Nota da Autora
Este é um poema inacabado. Bruto. E assim foi publicado. Não por descuido, mas porque, naquele momento, ele não pedia conclusão. Permanece como uma tentativa, um esboço de algo que não chegou a se fechar, e talvez nem devesse. Até agora, segue em estado de busca, como se o próprio gesto de escrever já fosse, por si, suficiente. Aqui, a linguagem se aproxima mais de um impulso do que de uma construção definitiva. As ideias surgem, se encadeiam, apontam caminhos, mas não se resolvem plenamente. E é justamente nessa suspensão que o poema encontra sua forma: como movimento. “Poetize!” aparece como um chamado, não apenas ao leitor, mas também a mim mesma no instante da escrita. Um lembrete de que a poesia não precisa estar pronta para existir. Às vezes, ela se manifesta no intervalo, no quase, no que ainda está por vir. E é nesse espaço, entre o que se inicia e o que se conclui, que este poema permanecerá, até que eu mude de ideia.
Graça, paz e muitas tentativas.
Carinhosamente, Adriana Costa Reis.

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